Festas de S. Pedro
Adoptada como Festa da Aldeia, corresponde a uma semana de espectacular animação. O momento por excelência é o da noite de 3 para 4 de Julho, em que se canta, dança à volta das fogueiras, num ambiente onde, rapidamente, se passa do estatuto de desconhecido a conviva cúmplice nos folguedos da noite.
SEMPRE IGUAL, SEMPRE DIFERENTE
Ora aqui está a prova de que, com um programa festivo quase inalterado ano após ano, é possível fazer-se, ano após ano, uma festa diferente.
É que, em Galegos, o S.Pedro é festejado, sobretudo, pelo povo – e este, na sua autenticidade, não cabe no espartilho de um programa. O programa, aqui, é apenas um guião: sabe-se o que vai acontecer, mas não se sabe como acontecerá. (E o importante, aqui, como diziam os latinos, não é o quid, mas o quomodo.)
Talvez seja esta convicção, profunda, de que nós (cada um dos participantes) é que fazemos a festa que determina que, ano após ano, renasça a vontade de voltar. Porque, aqui, todos somos actores! Aqui não há lugar para espectadores!
E tanto é actor o dirigente da colectividade que, no seu bairro, promove a construção do trono, a decoração dos arruamentos, a formação e o ensaio de uma rusga vistosa, como cada um dos moradores, que engalana a janela, a varanda ou a montra, que participa na rusga e que faz a fogueira, que todos devem saltar num gesto exorcizador que o calor da noite favorecerá.
É isto o nosso S. Pedro. Dir-me-á quem o não conhece: — Que novidade! É como o Santo António ou o S. João!
Ao que eu responderei, com o testemunho firme dos habitantes e visitantes de Galegos, nesta noite mágica de fraternidade: ─ Qual igual, qual quê?!
Só pensa que é igual quem nunca viu, nem viveu, uma noite destas!
Se o meu leitor pertence ao número dos cépticos – e só lhe
fica bem ser assim – aceite o desafio de passar a ser um dos muitos que, no
próximo S. Pedro, aqui voltarão a estar.
Porque quem experimenta não esquece. E, irresistivelmente,
quer repetir - como as muitas dezenas de milhar que, ano após ano, com um
programa aparentemente igual, fazem uma festa sempre diferente.